quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Revolução Socialista Russa

   No século XX, a Rússia apresentava uma economia débil e muito pouco desenvolvida em relação aos países europeus. A atividade predominante era a agricultura que ainda era feudal e tradicional (sem a intervenção das máquinas) e apresentava uma fraca produtividade. A indústria era também pouco desenvolvida e consequentemente, pouco produtiva. Um Império governado por uma monarquia autoritária e absoluta com uma economia frágil e com população a viver na absoluta miséria, não correspondia minimamente aos padrões de viva europeia.
   Devido às más condições de vida, houve uma tentativa de revolução por parte dos liberais em 1905 que foi rapidamente suprimida pelo czar Nicolau II. Para acalmar a população, o czar criou a Duma (parlamento) como forma de tentativa de democratizar o país, mas na realidade não tentando mudar a sua forma de governar, pondo na Duma homens que estariam a apoia-lo a 100%.
   Apesar da tentativa de sossegar a população, esta não estava contentes criando vários partidos contra o regime. Um deles foi o KD (Partido Constitucional Democrata) que procurava impor um regime parlamentar. Os Socialistas Revolucionários eram partidários do coletivismo e socialismo dos meios de produção. Os Sociais-Democratas eram os mais radicais, defendendo a proletarização da sociedade e o fim da propriedade privada. Estes últimos dividiam-se em Bolcheviques que constituíam a parte maior e eram os mais radicais, e os Mencheviques que eram a sua minoria e eram moderados e reformistas. Os revolucionários eram na sua maioria constituídos pelos Sovietes, estes por sua vez, era assembleias administrativas e deliberativas compostas pelos operários, camponeses e soldados.
   Em 1916 a Rússia entra na 1ª Guerra Mundial o que vem a agravar a então má economia do país e vem também a enfurecer ainda mais a população russa, levando em 1917 à Revolução de Fevereiro em Sampetersburgo. Após a revolução, é proclamado o fim da monarquia e a proclamação de um Governo Provisório apoiado pela burguesia e dirigido pelo príncipe Lvov que era um constitucional democrata. Esta revolução foi inspirada por Vladimir Ilich Ulianov mais conhecido por Lenine, estando no momento da revolução no exílio em Suíça. Dada a revolução, voltou à Rússia para assumir o comando do país junto do seu grande amigo e companheiro, Leão Trotsky, dando assim, início a um regime duplo, por um alado governado pelos burgueses, por outro, pelos Bolcheviques (regimes paralelos).
   O regime implantado pelo Lenine foi o de marxismo-leninismo. Foi uma fusão de dois ideais: o do marxismo – criado por Karl Marx, que tinha uma teoria de que mais sedo ou mais tarde iria dar-se uma revolução socialista, mas que essa revolução deveria acontecer num país desenvolvido (não sendo o caso da Rússia); e leninismo – os ideais de Lenine de acordo com a situação político-económica do país. Esse modelo soviético defendia a igualdade entre as classes: não haveria pessoas mais ricas que outras. Seria uma época de domínio do proletariado em que não haveria patrões pois os trabalhadores seriam os seus próprios patrões. Foi também, iria ser o fim da propriedade privada – toda a propriedade privada dos burgueses seria entregue ao Estado para esse separá-la de igual forma por todos, o que obviamente não aconteceu, continuando a haver pessoas extremamente pobres. Seria criada a ditadura do ploretariado, que serviria como repressão de todos aqueles que não queriam adquirir à política imposta, na sua maioria eram burgueses, czaristas (aqueles que apoiavam a monarquia) e muitos dos camponeses (os que eram tradicionalistas e estavam habituados à monarquia). Esse regime ditatorial serviria como um período de transição entre a monarquia e o comunismo. Uma das outras metas de Lenine, seria conceder independência aos países Russos que a desejassem.
   O regime duplo vivido na altura, transformou-se em desordem política o que teve greves consequência no país: a Rússia entrou, ainda mais, numa pobreza profunda levando à violência social (vandalismo, roubo, falência de empresas e seu abandono pelos patrões, conflitos no exército, etc.)
   Começou assim, uma guerra civil entre os regimes opostos e também a intervenção de outros países que não queriam de modo algum, a influência e a adesão dos seus povos à política soviética. A população separou-se em duas partes:
·         Guardas Vermelhos – Bolcheviques
·         Guardas Brancos – reformistas, czaristas… e todos aqueles países europeus que eram contra o socialismo (Inglaterra, Japão, França, Alemanha, EUA)
   Para apoderar-se do poder, os guardas vermelhos, atacaram o Governo fazendo a Revolução de Outubro.
   Em 1921, os Bolcheviques sobem ao poder, implantando o marxismo-leninismo e em 1922 dá-se por terminada a guerra civil implantando a República Socialista. Após a vitória, foram feitas medidas comunistas como tentativa de melhorar a situação do país:
o   A negociação da paz com a Alemanha a qualquer custo (foi muito prejudicial, pois a Rússia fez um acordo desfavorável para si)
o   A proclamação do Direito do Povo Russo, uma novidade para Rússia pois nunca tinha tido um direito do Homem oficializados
o   A hierarquização dos sovietes, estando o Lenine no topo
o   Constituição da Revolução
o   A destruição do sistema capitalista e a nacionalização da economia russa
o   Regime de partido único (Partido Comunista Russo), criação da polícia política e da censura – ditadura do ploretariado
o   Criação da III Internacional, que iria juntar a ajudar todos aqueles países que quisessem aderir ao comunismo
   Devido à crise e pobreza existentes, Lenine criou o NEP (Nova Política Económica) que permitia a criação de pequenas propriedades privadas de livre iniciativa – regressão ao modelo capitalista.

   Esta nova ideia de “o mundo pertencer ao ploretariado” intrigou e interessou o ploretariado dos restantes países europeus, pois também eles viviam na pobreza e no desemprego devido aos estragos na sociedade causados pela 1ª Guerra Mundial.
Acima, Tatiana e Olga; Sentados: Maria, Alexandra, Nicolau e Anastácia. E no chão, Alexei
   Após a guerra terminar, surgiram várias revoltas socialistas da parte do povo, e em resposta, também surgiram movimentos da parte do Estado com a tentativa de melhorar as condições de vida da população (para evitar futuras revoltas). Estes movimentos do Estado foram na sua maioria, movimentos autoritários e antidemocráticos (aparecimento de fascismo – Itália, nazismo – Alemanha, salazarismo – Portugal e franquismo – Espanha).

domingo, 16 de outubro de 2011

O mundo após a 1ª Guerra Mundial

 
   Em 1914 foi dado o início à 1ª Guerra Mundial, acabando esta em 1918. Causada pela Alemanha e pelos seus aliados austríacos e húngaros na esperança de expandir o seu território conquistando outros países europeus, a guerra trouxe imenso sofrimento quer seja para os países atacados como também para os atacantes.  
   Os vencedores foram os países atacados que rapidamente começaram a organizar e a por em vigor um tratado de paz, este foi feito em Paris adotando o nome de "Tratado de Versalhes". Nesse tratado foram definidas várias obrigações e deveres que a Alemanha seria obrigada a cumprir, e algumas mudanças do mapa geopolítico europeu:
  • a Alemanha e os seus aliados deveriam pagar todos os estragos causados aos países vencedores
  • a Alemanha foi proibida de ter armamentos e exército funcional no seu país (o país foi desarmado)
  • a Alemanha foi proibida de construir fortificações na extensão do rio Reno
  • tal como a maioria dos países europeus, a Alemanha foi obrigada a conceder independência às suas colónias
  • foram dissolvidos todos os impérios europeus: império Austro-Húngaro, Alemão, Otomano e Russo, formando outros países e dissolvendo os regimes autoritário dando lugar à democracias representativas
   Em 1919, na Conferencia da Paz, o presidente Woodrow Wilson, propôs a criação de uma organização mundial que iria promover e assegurar a paz mundial. Assim, foi criada em 1919, a SND - Sociedade das Nações. Apesar das boas intenções da organização, não houve resultados significativos, pois logo na oficialização da SND houve recusas de entrada nessa mesma organização pelo presidiste Wilson (EUA), pelos países vencido e até por alguns países vencedores.
   Para além disso, na negociação do tratado de Versalhes, não esteve presente o lado derrotado, levando ao descontentamento do mesmo.

  
   A 1ª Guerra não trouxe só conflitos políticos. Os países ficaram devastados, os conflitos armados destruíram vastos territórios de países europeus, foram destruídas cidades inteiras (casa, lojas, escolas, fábricas - diminuindo em grande número a produção), aldeias e campos agrícolas, perdendo todas as colheitas daqueles anos. Durante a guerra, a produção industrial e a produção agrícola baixaram cerca de 40% e 30% respetivamente levando à perda de mercados internacionais.
   A morte de soldados e de pessoas inocentes, reduziu a população dos países (principalmente a população masculina que morreu na guerra), levando à necessidade da entrada da mulher para os postos de trabalho dantes ocupados pelos homens - começo da emancipação feminina.
   Começou assim a crise europeia, sofrida principalmente nos países vencidos - Alemanha, Áustria e Hungria, pois esses não só tiveram de reconstruir o seu próprio país como também tiveram de pagar os estragos aos países vencedores estabelecidos no Tratado. Esta crise levou a uma drástica desvalorização da moeda gerando graves crises inflacionistas e ao endividamento interno (dívidas dos países vencidas para com os vencedores) e externo (empréstimos concedidos pelos EUA).

   Pela primeira vez, devido à crise, a Europa deixa de ter o hegemonia do comércio Mundial, passando esse privilégio aos EUA que a partir desse momento e até aos dias de hoje passaram a deter esse poder e foram os primeiros a dar início às mudanças da sociedade - seus comportamentos e hábitos. Assim a Europa passa a estar dependente dos EUA, pedindo empréstimos para a sua reconstrução e importando vários produtos (dos quais, alimentares).
   Para além dos EUA, o Japão também aproveitou a desorganização política e económica europeia para evoluir a sua condição relativamente ao comércio interno e internacional. 

   Os EUA ficaram assim os credores europeus. Para conseguir sustentar o seu país e os vários países europeus, os EUA tiveram que aumentar a sua produção agrícola e industrial, levando assim ao rápido desenvolvimento e  crescimento do país.
   Esse rápido crescimento da produção revelou-se ser demasiado grande, levando a acumulação de stocks resultando em falências, desemprego e deflação. Deu-se assim a primeira crise económica, mas que durou apenas por um ano - 1920-1921.
  A partir de 1923, recuperou-se a estabilidade económica, permitindo o desenvolvimento do país:
  • desenvolvimento técnico, exploração de novas fontes de energia, novo processo produtivo (estandardização e taylorismo) e novos ramos industriais.
  • incentivo ao consumo de massas pela concessão de crédito (levando à acumulação de créditos), bolsa e pela publicidade.
   Começou assim a "era da prosperidade" nos EUA marcada pelo otimismo e confiança e pelo crescimento industrial, comercial e financeiro.
  
   A frase da altura era "O grande negócio da América são os negócios", dito pelo presidente Coolidge. O mais importante eram os negócios: como obter o lucro máximo com custos mínimos?; como desenvolver as fábricas para que haja uma maior produtividade?; quais as inovações necessárias para que o produto seja o mais apelativo?; que novos produtos possam ser inventados (novidades no mercado)?, etc.
   Frederick Taylor (taylorismo), definiu a racionalização do trabalho propondo o trabalho em cadeia. Henry Ford, baseando-se no anterior, idealizou a produção em série/massa, através da uniformização de modelos - estandardização. Ford também fundou uma política de altos salários para aumentar o desejo pelo consumo cada vez maior das pessoas.

   Este novo tipo de vida da população passou a chamar-se "o estilo de vida à americana" - "the american way of life", caracterizado pela boa disposição, aquisição de máquinas elétricas/eletrónicas (rádio, telefone, etc.), aquisição de carros que entraram na moda nessa altura, etc.

11º ANO

-------------------------------------------------------------------------------------------------